segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ainda sobre as renúncias...



Oi meus queridos,

Não sei se por incompetência minha, mágoa, falta de tato, sei lá, mas me parece que algumas pessoas não entenderam a última postagem; por isso, vou tentar explicar como me sinto: sou grata a Deus, a ciência, aos profissionais que me trataram e garantiram minha sobrevivência até agora, sou grata a Tainá, a família, aos amigos, a vocês, (principalmente a minha filha!), por terem me dado apoio, carinho, atenção, força, enfim... solidariedade, afeto humano.
Sou grata a mim mesma, por não ter desistido e continuar lutando pela vida, apesar de todos os sofrimentos, inseguranças e medos.
Porém, queridos, antes do câncer minha vida era outra: Eu era a dona da bola, eu dizia para mim e para quem dependia de mim (fosse da forma que fosse) quando, como, quanto, onde, enfim... Eu tinha controle da situação (ou achava que tinha! Risos).
Aí, quando adoeci o corpo, a alma sequelou. Não recuperei ainda, a força, a determinação, a capacidade de sonhar e fazer planos... ainda estou meio que, anestesiada!
Foi muita dor, muita angústia, muito medo, muita solidão... Foram muitos momentos de expectativa não me permitindo mostrar nem a mim mesma, o quanto me sentia frágil, pobre (de alegria, de esperança, de fé na vida), quanto tudo aquilo me assustava e mostrava meu real tamanho.
Não foi fácil, já que arrogantemente, sempre me achei forte, poderosa, dona das minhas verdades, senhora do meu destino!
De repente, sem trabalho, sem perspectivas, em um tratamento que durará no mínimo cinco anos, com a possibilidade do câncer voltar a qualquer momento, vendo o tempo passar e roubando-o da minha filha, que não vive a própria vida já se vão quase três anos, e que, por conta de tantas angústias e transtornos, está adoecendo física, mental e emocionalmente,  já que também para ela não é fácil conviver com uma pessoa que “antes era a mulher maravilha” e hoje se comporta como uma “velha doente e derrotada”!
Meus vícios ou muletas (o cigarro e a cerveja) foram meus parceiros de quase toda uma vida. Estou encontrando dificuldades para voltar a trabalhar, o que para mim é tão importante quanto respirar! Então, é justo que eu me sinta triste, lesada, revoltada até. A vida está me cobrando caro, e eu não estou vendo vantagens em continuar a luta.
Perdoem, mas é assim que estou me sentindo. Estou fazendo de tudo para aceitar estas novidades com humildade. Estou tentando ser serena e grata, porém entendam: não vai ser da noite para o dia. Conto com a força de vocês!

Mil beijos,
Tania Pinheiro.

3 comentários:

Célia Rangel disse...

Tania! Como te entendo! O espelho que te reflete projeta-me também! "Suposições de Mulheres Maravilhas"... De repente, nas trombadas da vida, vemos que nada disso somos. Dizem-me ser "lapidações" necessárias para nosso aprendizado! Mas, a que preço, não é mesmo? Ok, aprendamos então!
Bj. Célia.

Carla Ceres disse...

O que você está sentindo é perfeitamente natural, Tania, tendo em vista as batalhas que você anda enfrentando. O importante agora é combater a depressão. Você é uma vencedora. Continue firme. Beijos!

camila disse...

Oi velha derrotada!!!! rs
Minha mae hj foi pro CAIO e la ficou internada, recebendo sangue... Sem falar, se sentindo mal... Agora me fala quem é velha derrotada? Quer saber, ninguem!!!
Viva a vida enquanto temos ela pra viver... Dane- se o resto... Esqueça das picadas, dos remedios... dos enjoos... Meooo esqueça e viva!!! Ai se pudessemos voltar naquele dia do diagnostico, e apagar tudo o que vivemos, voltar da estaca zero e continuar a historia da nossa vida!!!

Han... Onde paremos mesmo??
Torça pela minha mae!! bjosss Camila