terça-feira, 15 de outubro de 2013

Brincando de fazer concurso,


Oi meus queridos,

Influenciada pela Tatá e pelo Paulinho, resolvi me inscrever num concurso patrocinado pelo Santander, Talentos da Maturidade. Só Deus sabe o quanto odeio a expressão: Melhor idade (melhor idade, pra quem, cara pálida?). Somos alvo de todo tipo de “ite”, gastrite, bronquite, rinite, além dos tradicionais: pressão alta ou baixa, colesterol, AVC, infartos, estresse, aí, vem a falta de memória, que se bobear vira Alzheimer, fraudas geriátricas, dentaduras frouxas... E neguinho cria o slogan “Melhor idade”!!!
Mas, pelo entusiasmo dos dois, me contagiei e escrevi um ensaio, que meu fã clube pessoal adorou... Mas, não foi desta vez.
O texto segue a baixo. Quero compartilhá-lo com vocês!
Engraçado é que vários concorrentes me mandaram mensagens carinhosas. Vou responder ao carinho de cada um e, de quebra, apresentar o “tô com aquilo”.
Espero de coração que vocês gostem do ensaio, e não importa se positivo ou não, me deem suas opiniões, ok?

Mil beijos,
Tania Pinheiro.




  Páginas roubadas do diário de uma solteirona triste (que eu encontrei no chão do elevador*)

... não, eu não sou boa! Sou responsável. Se eu não tomo a frente numa série de problemas, a vaca vai pro brejo!
Outro dia, ouvi meu irmão caçula conversando com um amigo e percebi que falavam de mim. Meu irmão dizia, com certa deferência...
– Aninha? É uma santa! Não se casou para cuidar dos meus pais, até falecerem, depois para me formar na faculdade, trabalhava em dois empregos... Aninha não é desse mundo!
... Fiquei fula de raiva!!! Não escolhi nada disso, por mim tinha fugido aos 19 anos, com o crooner da Orquestra Tabajara, que me cortejou e prometeu casamento... Pode ser que nem fosse nada disso, que ele tivesse mulher e cinco filhos, sei lá, o que importa?! Eu teria vivido o amor, uma grande e inesquecível paixão!
Também não pude estudar o que queria. Sonhava ser jornalista, profissão que meu pai dizia ser masculina, ou, na pior das hipóteses, de mulher macho.
Fui para a escola normal, me formei e fiz concurso público. Me aposentei professora.
Como não tinha namorado, nem estômago para sair segurando vela, enquanto meus irmãos namoravam, aprendi que o melhor para garantir o futuro (depois de um bom marido!) é a poupança! Foi o que fiz.
Aliás, graças a ela, pude socorrer familiares em momentos difíceis (quase todos devolveram o empréstimo), pude proporcionar uma viagem dos sonhos aos meus pais, que, depois de mais de trinta anos, reviram a terra natal e a família. Alguns se foram pela velhice ou então por outro motivo qualquer, mas cresceu o número de sobrinhos, sobrinhos netos, e até um bisneto de colo, foi um bom investimento...
Mas como dizer que não sinto falta de um homem, de alguém que me ame e me cuide, que possua, sem pudor ou medo, o meu corpo de quarentona bem cuidada, com um fogo vivo me queimando as entranhas? Ah! não, não é bem assim que as coisas são... na realidade, a vergonha, a raiva, a solidão, o me doar por bondade, porque meus irmãos, mais espertos e egoístas, deixaram como minhas as responsabilidades, talvez seja esse o maior motivo de eu não ter vivido a minha própria vida.
Às vezes, tenho vontade de dizer pra eles como me sinto, como me senti por todo esse tempo...


Sábado, 14 de setembro.

Hoje, aconteceu uma coisa realmente FORA DO COMUM!
Fui andar na praia, ao invés de ir à missa! Quando me cansei, entrei num shopping, parei em frente a uma loja de móveis e tomei consciência de que vivo num museu! Tudo escuro, de madeira maciça, as louças pesadas, antigas (algumas lascadas) ... Tudo com o cheiro de mofo que a minha alma exala!
Nas vitrines de roupas, percebi o quão ridículo é o meu modo de vestir! Anos 40, 50, 60? Não sei, mas nada é colorido, leve, esvoaçante como as coisas das vitrines...
De repente, noto que estou chorando, copiosa e amarguradamente, estou em prantos, em pleno shopping!!!
Um segurança, alto, moreno, aparentando mais ou menos 40 e poucos, se aproximou oferecendo ajuda. Perguntou se eu fora molestada, roubada, maltratada... Fosse o que fosse, ele iria tomar as providências!
Enxuguei o rosto com as costas das mãos, sorri, completamente sem jeito, agradeci a atenção e o apoio. Mas não consegui deixar de dizer que estava morrendo, dia-a-dia, de apatia, inércia, saudades e solidão...
Ele segurou minha mão, com muito respeito, e perguntou se eu não gostaria de um café ou sorvete ou quem sabe um chopinho em sua companhia. Seu turno terminaria em menos de 30 minutos.
Olhei-o nos olhos e, pela primeira vez, me senti com vontade de uma estripulia!
Por que não? Sou solteira, livre, desimpedida, tenho o meu próprio patrimônio... sou solitária, sonho com um romance, não pretendo morrer virgem...
Aceitei. Marcamos na sorveteria da praça de alimenta-...


*O pior é que não sei o que aconteceu depois. Se o cara foi, se era um bom homem ou um canalha profissional, se eles se entenderam, ficaram amigos, amantes, casaram...
Não vou negar, tô P da vida, de ter que criar no meu imaginário o final dessa história! Mas, do fundo do coração, torço para que, pelo menos dessa vez, “eles viveram felizes para sempre”!

5 comentários:

Célia Rangel disse...

Olhe, Tania! Você não existe! Jogaram a sua forma fora mesmo! Única! Escreveu um autorretrato, é amiga? Ri muito por aqui e imagino o final dessa história... Hilariante... Piedosa você, hein? Apareceu um segurança pra salvar-lhe a pele... ou melhor, da heroína do elevador... Valeu amiga... Você é mais que dez é mil!
Bjs. Célia.

Carla Ceres disse...

Parabéns, Tania! Você escreve lindamente. Eu também queria continuar lendo esse diário. Bom saber que você fez contato com outros escritores. Já está mais que na hora de ampliar sua vida social virtual. Só não se esqueça da gente aqui, viu? Beijos!

Tania Pinheiro disse...

Oi Célia, de onde você tirou que essa história era um auto retrato? Sou sessentona, não sou sarada, deixei de ser a mãe da família há muito tempo, e como você, queria saber o final da história, já que a única coisa que eu e o personagem temos em comum é gostar de um negão...
Os caras do Santander não entenderam e passaram a caneta, não foi dessa vez rs...
Só um detalhe, somos três, únicas, aliás quatro: Você, Carlinha, Tainá e eu. Que bom que jogaram as formas fora rs...
Beijos.

Tania Pinheiro disse...

Carlinha, eu jamais esquecerei de vocês, fico em cólicas para saber qual será o comentário da vez.
Na verdade, eu escrevi o ensaio em menos de uma hora, no dia anterior, a Tainá ficou horas tentando postar, pois o site estava congestionado, quase não deu. Não é um auto retrato, mas talvez uma constatação triste e real. Ainda não conheci os colegas de letra, mas farei isso em breve.
Beijos.

Carla Ceres disse...

Oi, Tania! Voltei pra dizer que meu provedor de internet andou me dando um baile. Por isso demorei a responder. Estou muito contente por você não nos ter colocado na lista de "esquecíveis". :) Beijos!