terça-feira, 22 de outubro de 2013

Buscando encontrar o meu caminho.


Oi meus queridos,

Almir Sater, grande violeiro, poeta e cantador escreveu: “ando devagar porque já tive pressa...”, e mais a frente diz: “cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz”.
É lindo, né?! O Almir (eu o conheço um pouquinho) é um caboclo pantaneiro que adora pescar, cuidar de seus bois e de suas terras, tomar vez por outra um “traguinho” de cachaça do engenho, e ama fazer poesia musicada!
Lembrei-me dele, depois de uma nova DR, entre a Tatá e eu. O pior é que a danadinha está coberta de razão: joguei a toalha, perdi a luta por WO, resolvi que estou velha e acabada... Estou em pleno fim de tarde, de uma quinta-feira bem paulistana, deitada sob quatro cobertores, reclamando da vida, do frio, do governo, dos amigos que não aparecem, da falta de grana... De tantas bobagens que eu mesma reconheço o ridículo da situação!
Cheguei à conclusão, que sofro de auto piedade, autopunição com tendências ao autoflagelo! Que me acostumei com o mais ou menos, que aceito passiva, quase feliz, essa inutilidade que criei para mim, e que egoisticamente imponho para a minha filha!
Ela tem razão: não estou aleijada (e olha que nós brasileiros temos mais medalhas nas paraolimpíadas do que nas outras!), não estou em risco de vida, o tratamento está ocorrendo como era esperado... Mas, é gozado, dentro de mim nasceu um medo do videoteipe, uma insegurança de ter e fazer a Tatá passar por qualquer decorrência do câncer novamente. Vocês não imaginam a agonia que isso me provoca.
Fora isso, tem o fato de não estar trabalhando, de minha filha por culpa minha não ter voltado a estudar ainda, tem o problema do mofo da casa, do prazo para a aposentadoria... É muita coisa, porém, pensando com serenidade, já vivi momentos infinitamente piores, inclusive a descoberta e enfrentamento do meu tão repetido câncer.
Em outras épocas, fiquei sem trabalho, mas por pouco tempo. Já passei momentos que precisei que os meus chegassem junto, até para alimentar meus filhos, já casei, separei, enviuvei, já perdi entes queridos... E continuo aqui, na luta.
No momento a angústia maior fica por conta da inércia, nunca fui tão preguiçosa, tampouco dada a observar o fazer alheio. Sempre aplaudi as vitórias alcançadas, seja lá por quem fosse sem inveja ou sentimentos inferiores. Mas, queridos, comecei a trabalhar aos 13 anos, sempre tive o MEU dinheiro, muito cedo comecei a ajudar em casa, e depois de casada, por muito, “levei a casa nas costas”, mas, passou...
O importante agora é sair da toca, procurar antigos parceiros e conhecidos, ou quem sabe montar meu próprio negócio tendo a minha filha como sócia (e tesoureira, porque de outro modo, eu esbanjo tudo, inclusive, comprando coisas pra ela).
É isso, achar o caminho é difícil, segui-lo, mais ainda. Mas, se Deus me trouxe até aqui é porque ainda tenho contas e créditos nesse mundo e nesta vida!

Mil beijos,

Tania Pinheiro.

4 comentários:

Carla Ceres disse...

Oi, Tania! Eu já disse que a Tainá é sábia e, melhor que isso, está do seu lado. Seria uma pena você se deixar abater agora que o pior já passou. Você venceu. Vocês duas venceram. está na hora de serem felizes. Beijos!

Célia Rangel disse...

Nossa amiga! Em frente, sempre! Temos certeza de que o pior já passou... Sei que você deve estar pensando: - é porque não é com ela! Jamais! Tenho também muitos calos, rugas e cabelos brancos... mas a todos digo: - as rugas são do excesso de sorrisos; os calos são por tantos belos caminhos percorridos e, os cabelos brancos simbolizam a neve que congela e consolidam minha existência como imagem de quem não veio a passeio, mas ao trabalho e, agora se dá ao luxo de muitas sobrevidas! Penso alto, apesar dos meus 1,50m ... Não deixo por menos, não! "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!
Beijos.

Ed. disse...

Olá Tania,

Concordo contigo do quão difícil é, entre tantas possibilidades e caminhos, achar, se encontrar, e ainda ter persistência suficiente para percorrê-los. Os mais variados sentimentos nos tomam, mas fazem parte desse processo de busca e retomada. Ainda assim, mesmo após encontrá-lo, e lutarmos para nos mantermos nele, não significa que os frutos virão da maneira que planejamos. Mas é também na busca desse caminho, que recolhemos os frutos da consciência de que algo precisa ser feito, de que decisões terão que ser tomadas, e que esperar não é a melhor solução, porém em alguns momentos significará aceitar que certas coisas têm o seu tempo. E na essência desses frutos encontraremos a paz de espírito tão necessária nesses momentos.
Então, não turbe vosso coração. Tudo tem seu valor, tudo. Desde os nossos momentos mais cinzas, que nos renovam e nos fazem enxergar, até a glória da vida nas cores mais vibrantes.
Conte comigo para pintar esse circo... rsrs
Grande beijo.

Tania Pinheiro disse...

Meus amigos queridos, o que seria da gente, a Tainá e eu, se não houvesse em nossas vidas, seres tão lindos, limpos, amigos, sinceros, prontos para ajudar e acolher. Temos tanta sorte, que temos uma Carla, uma Célia, e um Ed... não é pouco não rs...
Pensei em tudo o que me disseram, agradeço cada conselho, cada palavra de apoio, cada demonstração de confiança no que poderemos fazer.
Sou muito abençoada! Já venci muitas batalhas, e ainda por cima, tenho uma medalha única que ninguém tem, a minha Tatá.
Mil beijos, obrigada!
Tania.