segunda-feira, 4 de novembro de 2013

... eu só queria entender!


Oi meus queridos,

Estava com saudades, mas, por mil e um motivos não deu para postar antes.
Hoje, não abri a janela do quarto, tampouco a do meu coração.
Esfriou, choveu, São Pedro se confundiu e trocou o feriado de finados.
Amanhã vou fazer uma visita ao INSS. São sempre angustiantes, apertam o peito, mexem com a cabeça e a alma. É exatamente na véspera da perícia que avalio o quanto não fiz nada de útil na minha vida! Não pra mim, nem para os que realmente mais amo.
Participei de sei lá quantos mutirões de casa própria, ajudei a levantar a renda, a estima, a vontade de sonhar, de pessoas que hoje, provavelmente, sequer lembrem que eu existo, e são gratas ao político ladrão que levou no mínimo a metade do preço do projeto inicial!
Meus filhos cresceram, são donos de si. Meus pais morreram, sabe-se lá, se já não estão aptos a voltar a conviver conosco!
Não tenho marido (nem me daria novamente esse castigo), nem namorados, odeio bailes da melhor idade, não tenho saco pra ver televisão, e não domino o mundo virtual... Às vezes, sinto que morri e esqueceram de enterrar.
Na entrevista de amanhã, muito o que farei, acontecerá ou não, a partir do resultado.
Não aceito piedade, dó, ou qualquer sinônimo para tais palavras. Plantei, a partir daí, vou colher!
Sinto saudade do tempo em que eu chorava ouvindo uma canção ou assistindo um lindo filme. Não faço mais isso, não consigo.
Sinto que adorava ficar maquinando “gostosuras” para alimentar as minhas gostosuras. Também isso, tenho feito muito pouco.
Decretei meu auto ostracismo, e mastigo em minha concha toda a angústia, medo, ódio, abandono, todos os maus sentimentos que me invadem. Depois, lavo o rosto, balanço os cabelos, fecho a ostra e volto toda faceira a conviver com os outros. Tudo maquiagem, tudo mentirinha, tudo fuga, medo e uma enorme solidão.
O pior, é que a tendência é piorar cada vez mais! Velhice é igual à rabugice (risos).
Perdoem despejar aqui, tanta coisa feia e ruim, mas a fora os ouvidos da minha filha, este é o único lugar que possuo, sei que por carinho, vocês vão entender e perdoar.
Amo, mesmo sem jamais ter visto, cada amigo que me visita com seu carinho e acolhimento. Saudades!

Mil beijos,
Tania Pinheiro.


3 comentários:

Célia Rangel disse...

Hum... o que lhe dizer? RECICLAR... Sim! Tania! Socorra-se... Nos meus ostracismos, saio rapidinho dessa "neura" e sigo em frente, sem medo de ser feliz. O meu compromisso comigo, cada vez mais, é de me amar e, de me cuidar, até para ser de agradável convivência... Pense nisso, mulher e busque alternativas em você, pessoa rica de dons e de qualidades!
Abraço.

Carla Ceres disse...

Calma, querida! Sei que, no momento, é difícil crer, mas a verdadeira tendência é melhorar. A visita ao INSS disparou uma crise de ansiedade e a crise faz você se cobrar demais. Todo esse sofrimento deixa você exausta, incapaz de perceber que há possibilidades de mudança positiva ao seu redor. Ansiedade é uma praga, mas passa. Dentro de alguns dias você vai estar melhor. Beijos!

Tania Pinheiro disse...

Minhas amigas o conselho de vocês me fortaleceu muito, a Tatá foi comigo, outra força. Agora com a cabeça mais tranquila e coração também, estou focada em buscar novas alternativas, verão no próximo texto, mesmo abalada, estou confiante. Obrigada por sempre estarem conosco! Um grande beijo em cada uma, de nós duas.
Tania.