domingo, 4 de maio de 2014

Louvado seja o nosso suor!


Oi meus queridos,

*Esse texto foi escrito no dia 1° de maio, e só está sendo postado agora, pois eu sou filha de Deus, e também merecia o fim de semana para lavar roupa e cuidar da casa, coisa que trabalhador faz quando tem folga. Desculpa aí.

Hoje 1° de maio, feriado, comemora-se o DIA DO TRABALHADOR, ou seja, o NOSSO dia, que com o suor dos nossos corpos, da força dos nossos músculos, do brilho das nossas inteligências, enfim, a total doação de nossas vidas para ganharmos o pão e alimentarmos os nossos HONESTAMENTE, temos pelo menos hoje o reconhecimento de nossas existências.
Desde que nossas terras foram invadidas e rebatizadas pelos europeus, que ao apoderarem-se do solo e de tudo e todos que nele viviam, somos roubados, espoliados, enganados (até com espelhinhos), vimos pacificamente à retirada do ouro, pedras preciosas, metais diversos, assistimos impotentes à derrubada das matas e florestas, a poluição dos rios e mares, o extermínio de pássaros, animais, e até de gente contrabandeada para servir como escravos, inclusive sexuais, ou doadores “VOLUNTÁRIOS” de órgãos, e por incrível que pareça isso continua acontecendo nos dias de hoje, em pleno século XXI.
Lá se vão 514 anos de exploração, desrespeito, descaso, falta de amor a Pátria!
Os políticos que nós, na nossa pouca cultura e enorme esperança, elegemos, não demora, botam as manguinhas de fora, juntam-se a camarilha que já está estabelecida e, com seus assentos garantidos tornam-se para nós mais uma decepção, mais uma punhalada.
O incrível é que apesar de tudo isso, apesar dos invasores e governantes por nós escolhidos, apesar dos desvios de verba, de saúde e educação inexistentes, de Copas e Olimpíadas mega-hiper-super faturadas, para benefício sempre dos MESMOS, continuamos um País rico, na mira gananciosa das gangues locais e internacionais.
O Brasil é um dos países com maior número de feriados no mundo, isso se não for o maior! Mas você sabe quanto nos custa, a nós trabalhadores, um feriado?
Se por acaso ele ocorrer na quinta ou segunda-feira, os que podem emendam, e aí, para-se a produção, diminui o comércio, as escolas dão-se ao luxo de não funcionar, e consequentemente, não ensinar nossas crianças e jovens, e tudo isso reflete diretamente em nossos impostos e taxas!
Já foi pior, quando eu era menina, os dias Santos também eram feriado! Sinceramente, não sei quem foi o iluminado que acabou com esse absurdo, mas tiro o meu chapéu!
Resolvi me dar o direito de não fazer nada, só por hoje, ficar na cama, ler um livro, tomar um chá quente, ligar para os amigos, enfim, no único dia em que posso comemorar minha utilidade ao “sistema”, resolvi ser quase tão inútil quanto aqueles que vivem 365 dias em folgas e festas. Ainda fui dadivosa e dei folga pra Tatá, que pelo menos no 1° de maio, ficou livre da minha rabugice (tadinha).
Porém, amanhã volto à luta, e só para contrariar, para “encher o saco”, vou continuar honesta, pagando minhas contas, respeitando o bem alheio, devolvendo o troco que me for dado a mais... Só por que me dá prazer dormir em paz, continuarei aos 61 anos, me orgulhando de não ter participado ou participar de qualquer patifaria cometida pelos inúmeros políticos para os quais eu trabalhei!
Como dizia o meu Moleque, “eu acredito na rapaziada” e com orgulho, saúdo a cada trabalhador e trabalhadora deste País, que pela misericórdia Divina não foi por Deus abandonado.
Salve o 1° de maio, viva o povo brasileiro!

Mil beijos,
Tania Pinheiro.


2 comentários:

Célia Rangel disse...

Olá, Tania!
Realmente difícil de se comemorar algo em nome de um trabalho digno, honesto e gratificante, quando vemos s remuneração do mesmo. Falta salário e sobram dias para administrar a fome, a insciência, a insalubridade, a falta de moradia... Enfim, a mínima dignidade humana, para experienciarmos uma vida melhor para todos. Vamos ao chá e ao bom livro! Oras! Merecemos!
Beijos.

Carla Ceres disse...

Quer saber de uma coisa, Tania? Seu texto foi um dos melhores que li sobre o Dia do Trabalho. Você é direta, verdadeira e coerente. Já os políticos que se manifestaram na data deram um show de falsidade, elogiando o que não praticam.
Muito obrigada pela força pro meu texto sobre a inveja. Seu comentário foi, como sempre, gentil e certeiro. Quanto ao livro, caso a Tainá esteja interessada, posso enviar meu exemplar pra ela de presente. Está praticamente novo. Nem grifei. É só vocês me mandarem um endereço com CEP. Beijos!