Oi meus queridos,
Pois é, o verão foi embora e eu, nem vi o mar!
No afã do tratamento, não fui até a praia. Não pulei 7 ondas, não pedi coisas “boas” para 2012, não senti sequer, o cheiro da maresia.
Foi uma passagem de ano atípica. Sem brinde, sem roupa nova, sem festa... Passamos minha filha, o namorado dela Paulinho e eu, tentando ver os fogos na noite chuvosa com prédios no caminho.
Na manhã de 1° de janeiro, fui ao Icesp, receber medicação. Ainda não estava calor.
Hoje, 21 de março, depois de poucos, mas, escaldantes dias de verão, morando em uma casa confortável, rodeada por pessoas que me querem bem, às vésperas de fazer nova cirurgia, olho para trás e vejo quantas batalhas foram vencidas, apesar do medo, da dor, dos sacrifícios e até da solidão. Passei por momentos terríveis, que estou lutando para esquecer. Sei que vou conseguir. Deus é mais.
Não fumo há quase 5 meses, mas morro de vontade! Chego a sonhar com o cigarro! Não bebo há quase o mesmo tempo. Ando louca de vontade de uma super gelada! Não dou uma gargalhada, acho que já se vai um século...
Sei que estou amarga, pouco agradável, inconveniente e muito sem sal! Vai passar. Estou tentando com toda minha força, voltar ao normal. Sinto falta da minha porraloquice natural. Sinto falta do meu sarcasmo, do meu humor nem sempre sutil, dos meus versos, do abraço de amor que dou de verdade nas pessoas que amo. Vai passar. Se Deus quiser, vou voltar a ser a Tania Pinheiro de sempre: Chata, prepotente, atrevida, corajosa, debochada, amiga, confiante em Deus e na vida, cheia de defeitos (e algumas qualidades!) e com muita vontade de vencer a luta contra o pior de todos os males: a desesperança e falta de fé! Sei que posso contar com vocês. Sei que não estou sozinha.
Mas, não vou mentir: Tô morrendo de saudades do verde do mar e do cheiro de maresia...
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Para Maria Ângela, minha prima quase filha,
Que mesmo depois de tanto tempo longe, não deixou que o carinho e os “laços de família” perdessem a força e o sentido verdadeiro da ternura e amizade.
Por sua luz, garra, capacidade de se dar sem fazer da doação ato de superioridade ou autoexaltação, obrigada.
Pessoas como você ajudam-nos a crer que bondade, humildade, respeito humano e amor ao próximo, podem sim, fazer parte da vida da gente, não são “coisas de filmes ou novelas de TV”!
Que bom que você existe e divide espaço comigo, nesta luta que o Pai me deu!
Amo você.
Mil beijos,
Tania Pinheiro.






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