Oi meus queridos,
Faz um tempão que não dou as
caras, né? Então... As coisas andam meio complicadas, muitos problemas, muitas
angústias... Sinceramente, não tenho tido vontade de escrever.
O blog nasceu com a intenção
de ajudar pessoas que, como eu e os meus, passaram e passam pelo “surto” do câncer.
Queríamos, a Tatá e eu, não
só dividir os medos e inseguranças, mas compartilhar nossas expectativas,
vitórias, sonhos, queríamos contar e ouvir estórias e histórias, queríamos rir
e chorar junto com cada pessoa que nos visitasse no dia a dia!
Na verdade, durante muito
tempo, escrever diariamente, contar pra vocês como estavam as coisas, falar
sobre o tratamento, pedir socorro, oferecer o colo, enfim, fazer do TO COM AQUILO
nosso ponto de apoio e encontro, era, não tenho dúvida, uma forma de enfrentar
com mais leveza e alegria “nosso momento pesadelo”!
Hoje, não sei se por
cansaço, depressão, necessidade de dar um rumo mais concreto a minha vida, voltar
a trabalhar, ganhar dinheiro... Sei lá... Mas não tenho vontade de escrever.
Não acho justo ou certo despejar em vocês o que tenho guardado na alma e
coração.
Tô muito, muito triste, sem
meu humor ácido, cáustico, sem tiradas inteligentes, sem vontade de fazer
piada, sem graça, triste...
Já faz um bom tempo, o blog
está pesado, quase amargo. Essa não é a intenção, a pretensão, o objetivo do TO
COM AQUILO. Tudo o que desejo, do fundo do coração é voltar a escrever com
leveza e alegria, contar minhas maluquices, brincar de viver enquanto posso.
Enquanto meu coração estiver
no escuro, o blog vai ficar em stand bye. Nesse meio tempo, quero ver se venço
meus medos e ranhetices cibernéticas e faço um curso de computação. Quem sabe
eu me motive e, antes mesmo de vocês sentirem minha falta, volto à carga,
reencontrando, neste espaço, não só a alegria, mas a felicidade de poder
compartilhar com cada amigo que, graças as postagens, conheci, a benção de
estar viva, curada, enfrentando com coragem o tratamento e recebendo com
gratidão o TUDO DE BOM das Célias, Carlas, Danis, Lauras, Jus, Georges, Sonys,
enfim, os muitos e queridos anjos de amor que me ajudaram a chegar até aqui.
Quero agradecer a Tatá por
tudo: as fotos, as postagens, correções, mas, principalmente, pelo carinho,
amor, cuidado, ternura, enfim, tudo o que ela me doou de alma e coração.
Obrigada por tudo, meu anjo,
principalmente por estar na minha vida. Amo você.
E amo vocês todos, muito,
muito mesmo!
Como postagem de “tempo de
espera” gostaria que vocês lessem este texto que recebi de minha irmã Tatiana. Me
fez rir muito.
Logo, se Deus quiser,
estarei de volta, escrevendo eu, Tania, algo tão hilário quanto o que estou
deixando pra vocês.
Até breve, não me esqueçam e
tenham certeza: “ Viver é melhor que sonhar”!
Mil beijos,
Tania Pinheiro.
VELHICE FEMININA
Peço a compreensão das amigas politicamente corretas
e a contribuição das cínicas inveteradas, como eu. Desculpem, gostaria de ser
uma "doce sessentona" convencida de que a velhice é um estado de
espírito mas a vida me prova o contrário. Além do mais, se quiserem ler
crônicas otimistas, Martha Medeiros e Lya Luft estão aí prá isso. Meu negócio é
rir!!
Para não ficar uma velha “sem noção”, é fruto do meu
profundo interesse olhar pela velhice e pelo bem estar da sociedade. (Eu
podia ter organizado os lembretes por “família, trabalho, lazer, higiene
e saúde” mas decidi já ir me acostumando com o estado de confusão mental
provável e deixar a tarefa de me fazer entender para os mais jovens).
Acho bom ler e levar a sério, principalmente as
coisas que parecem mais desagradáveis. Como tou ficando velha, é capaz de
receber e-mail como este texto, dizendo que foi escrito por Luis Fernando
Verissimo e nem lembrar que fui eu que escrevi:
1. Aceite
a velhice, recuse metáforas. “Terceira idade”, “melhor idade” é a p*#@* q*#@
*#riu!!!. Ser velha não é crime, é apenas constrangedor e a
última sacanagem que o Criador comete contra nós.
2. Viva
com inteligência o tempo de vida útil que lhe resta. Viva a sua vida, não a dos
seus filhos, netos e/ou marido (se é que ainda há algo que possa ser chamado
disso). Tenha seus próprios interesses e projetos. Ainda se tem direito aos
sonhos. Aliás, em breve teremos direito só aos sonhos.
3. Coma
menos, beba menos e fale menos. Velhas magras, sóbrias e contemplativas são
menos doentes e chatas.
4. Poupe
seus familiares e amigos (para aquelas que ainda tem alguns) de conversas sobre
o passado, doenças e dinheiro. Estes assuntos devem ser tratados, só e somente
só, com seu psicoterapeuta. Em caso de emergência, a exceção é aquela sua amiga
que já teve dois AVC’s e não tem condições de reagir.
5. Não
aborreça ninguém com os relatórios das suas viagens. As viagens de velhas são
interessantes só pra elas mesmas. Aprenda a ser concisa, comente apenas o
destino e a duração da viagem. Se por algum milagre, alguém perguntar mais
alguma coisa, procure responder com monossílabos.
6. Escolha
um bom médico. Ele, sim, vai ser seu pai, irmão, marido e amigo querido. Não se
automedique. Não há nada mais irritante do que velha metida a curandeira.
7. Não
arrisque cirurgias plásticas rejuvenescedoras. A chance de ficar mais feia é
altíssima e a de ficar mais jovem é baixíssima.
8. Use
seu dinheiro com critério. Gaste em coisas importantes e evite economizar
demais. Para que deixar herança para noras e genros que mal lhe aturam ou
sobrinhos e netos que mal lhe conhecem?
9. Velhice
não nos dá o direito de ser mal educadas. Nada de falar de boca cheia, emitir
sons e odores indesejáveis, cutucar dentes, etc.. Atenção redobrada se você já
não era nenhuma dama na juventude. Casca grossa só piora depois de senil.
10. Faça
uma guerra sem descanso aos farelos que insistem em se alojar nos cantos da sua
boca (nos velhos, eles preferem o queixo). Você notou que tem sempre um filho
de plantão passando um guardanapo na boca das mães velhas?!!
11. Só
masque chiclete na ausência de testemunhas. Não corra o risco de acharem que
você já está ruminando ou falando sozinha.
12. Pense
muitas vezes antes de se aposentar. Trabalhar tem muitas vantagens, além do
dinheiro. A principal delas é para sua família: são seus colegas de trabalho
que vão ter que lhe aguentar a maior parte do tempo.
13. Cuidado
com a nostalgia e o otimismo. Velhas tristes são chatíssimas. Velhas alegres
demais, mais ainda. Não se ofereça para ir a carnaval fora de época com seus
sobrinhos. Fora de época, é você. Não tenha certeza de que vai ser uma
companhia agradável em acampamentos, raves e shows de rock. Um ataque cardíaco
pode acabar com a festa de todo mundo.
14. Se foi
mística, esotérica ou engajada na juventude, controle-se. As pessoas lhe
aguentavam quando os hormônios estavam a seu favor, agora elas podem querer
realizar o desejo de matá-la que tinham no passado, para acabar com a tortura
das suas pregações.
15. Leia
muito. Ainda há tempo para gostar de aprender. Velhice pode trazer experiência,
não sabedoria. Ter um livro sempre à mão também serve para o caso de sua surdez
não permitir acompanhar a conversa. Todos vão adorar não ter que repetir aos
gritos respostas a perguntas “sem noção”.
16. Tenha
o máximo de cuidado com a higiene. Velha fedida é duro de aguentar. Ah,
cheirando a perfume francês vencido, também.
17. Não
acredite nas colegas otimistas que dizem que não tem nada demais em usar
minissaias, fio dental, figurinos sadomasoquistas ou decotes provocantes. Tem
sim, eles provocam atentado à estética. E riso descontrolável, também.
18. Cuidado
com a maquiagem. Já notou que velhas vão ficando parecidas com velhos e ambos
com travestis? Maquiagem pesada só serve para reforçar o personagem.
19. Seja
avó do seus netos, não mãe ou babá. Por isso nem pense em educá-los ou em
comprometer seu tempo com as tarefas chatas de ir buscar na escola, festinhas,
natação, inglês, etc.. Ser folguista de babá, nem pensar!!! Se a sua nora for
chata, esta é a chance perfeita de sacaneá-la, deixando que ela faça sua
obrigação de mãe. Não tenha remorso, por mais que você se esforce nunca vai
conseguir sacaneá-la mais do que ela a você. Lembre-se de que agora seu filho
deve obediência a ela e não mais a você.
20. Se
alguém perguntar como vão seus netos, não precisa contar tuuuuuuuudo!
Evite discorrer sobre sua (deles, óbvio!!) inteligência excepcional, beleza
rara, fantásticas habilidades esportivas e genialidade com a tecnologia.
Lamento informar que todos eles são iguais, sim.
21. Não
seja uma sogra chata, gratuitamente. Só se tiver um bom motivo. Lembre-se de
como era a sua (ou as suas) e passe a limpo. Agora que você já sacou que não
tem como mudar seu marido, cuidado para não apontar as armas para as noras e
genros. Falar mal deste tipo de gente é deplorável. Se tiver genro, dê sempre
razão a ele, se sua filha for um pé no saco. Lembre-se que, para implicar com
ela, ele vai sempre lhe defender quando ela comentar como você é chata,
controladora, antiquada, desinformada, espaçosa, blá, blá....
22. Seja
machista. Ainda é tempo. Caímos no conto do feminismo e nos lascamos.
23. Nunca,
nunca, nunca mesmo, visite seus filhos sem que seja convidada, pelo menos 3
vezes.
24. Cuidado
ao atender o telefone. Se responder “Estou levando a vida como Deus
quer”, quando lhe perguntarem “Como vai?”. Isto pode provocar um problema
irreversível na sua linha telefônica, ela pode ficar muda por semanas. Você vai
ver que as ligações dos amigos e filhos vão rarear, cada vez mais. Se quiser
que a linha dê um “tilt” para sempre, pode responder aos seus filhos com a
simpática frase: “Ah, lembrou que tem mãe?”. Mesmo que eles lembrem, vai
ser difícil telefonar prá você.
Esta lista pode ser usada como teste (mulheres
adoram testes) para saber seu grau de “sem-noçãozice”. Mas se você for
chata mesmo, pode aplicar nas suas amigas. Não confesso meu grau, nem sob
tortura. Mas confesso que já fiz alguns estudos de caso. Acredito piamente que
vaso ruim não quebra e tento ficar cada dia pior. Afinal velha é que nem
palhaço, se alegra vendo o circo pegar fogo.
Se não mandar e quebrar a corrente, o castigo vem na
hora, porque velha decrépita é alvo fácil até para corrente imbecil. Salvem o
planeta e passem adiante!
(Anônimo).