Oi meus
queridos,
Na verdade, esse texto era
para ter sido postado na sexta-feira à noite, porém, somente hoje, nossa
internet voltou do espaço eterno.
Como para mim é importante
partilhar com vocês, resolvi postá-lo mesmo atrasado.
Quarta-feira (10) fui ao
Icesp fazer exames de sangue. Rotina. Sentei-me ao lado de uma jovem, que
chamarei Maria, que deveria ter mais ou menos 30 anos.
Ela estava visivelmente
angustiada. Dei-lhe um sorriso, me apresentei, perguntei seu nome... Falei-lhe
que tenho 60 anos, fiz duas cirurgias oncológicas, uma plástica ma-ra-vi-lho-sa,
onze quimios e trinta radioterapias, tive uma infecção generalizada, uma endocardite,
ganhei de presente um hipotireoidismo, uma arritmia cardíaca, uma depressão que
estou lutando para curar e, a maior lição da minha vida: o câncer foi uma
benção!
Graças a ele, descobri que
não sou supermulher e muito menos insubstituível, que ao contrário do Rei
Roberto Carlos, não tenho um milhão de amigos, porém, os poucos que tenho são
leais e “pau pra toda obra”.
Descobri o quanto a família
é importante: a de sangue e a de coração, descobri que o MEU anjo de guarda, é de
carne e osso, e quem pariu fui eu!
Descobri que damos valores a
coisas, acumulamos ao longo da vida, coisas e mais coisas, e, raramente compartilhamos,
ofertamos, dividimos... Esquecemo-nos que nascemos nus, e ao morrer, levamos
somente a roupa que nos cobre!
Agradeço a Deus todos os
dias: pelo Sol, que aparece mesmo quando chove, pela vida, por meus filhos,
família e amigos, agradeço pelo pão de cada dia, pelo meu lar, por poder me
comunicar com tanta gente...
Maria ouvia e chorava. Disse
que também tinha dois filhos pequenos. – O que será deles? Perguntou.
Respondi que Deus sabe o que
é melhor para cada filho Seu, que ela fortalecesse a sua fé, e acreditasse que
iria se curar, criar os filhos, quem sabe, cuidar dos netos... Na verdade, a
força da fé, a vontade de viver, a alegria de ver o Sol nascer a cada dia, e
principalmente, o exercício de agradecer humildemente por tudo, dão novo
sentido a nossa existência. Pedi que ela se acalmasse e acreditasse: Deus pode
tudo!
Deixei o endereço do blog,
fiz meus exames e vim pra casa.
Há alguns meses, minhas
primas amadas, me trouxeram uma montoeira de roupas de grife, de uma tia
milionária que elas tinham. A intenção era que eu fizesse um bazar, ou algo do gênero.
Era uma forma de me dar uma força.
Tinha peles, inclusive dois casacos,
um de vison sintético e outro de astrakan com vison, roupas de marca, bordadas,
casacos de veludo... tudo muito bem cuidado, e cá entre nós, tudo muito caro!
Como moro num bairro
simples, achei melhor procurar alguns brechós. A maioria se deslumbrava com as
peças, porém diziam estar em situação difícil, vendas paradas, enfim... Até que
um conhecido indicou-me o “Minha Avó Tinha”, que além de antiquário, brechó,
trabalha com aluguel de roupas e peças de época e estilo, fornecem para teatro,
produções cinematográficas, e coisas afins.
Como precisava complementar
meu aluguel, fui até lá. O lugar é lindo, o atendente, Felipe, muito gentil e
educado. O dono e a gerente, não estavam na hora, e como eu tinha consulta no
Icesp, deixei a mala para que eles avaliassem.
Gostaria de dizer Ana
(gerente) e França (proprietário), que jamais me senti tão humilhada e
constrangida. Realmente, a forma como você me tratou Ana, não foi cordial. Eu
sei o quanto vale o que “negociei” com vocês. Não sou ignorante, já viajei
muito, inclusive morando fora, e creio, não merecia o desdém que você me dispensou.
Minha filha adoeceu de
revolta, por não entender a falta respeito humano, sabendo que estou passando
por tratamento.
Mas, mesmo assim, agradeço
humildemente por você “mesmo sem precisar e sendo peças sem valor”, ter ficado
com elas.
Paguei meu aluguel.
Ironicamente, faltava exatamente a quantia que você me passou.
A propósito, é incrivelmente
bem montado e abastecido o local de vocês, só não encontrei, nem nos cabides,
nem nas prateleiras, sequer nos manequins, respeito, solidariedade e humanismo.
Isso, a minha avó tinha, e muito, ensinando aos filhos e netos, que somos todos
iguais aos olhos do Pai. Espero que vocês continuem fazendo sucesso, do
fundo do coração!
Por essas e outras, costumo dizer
todos os dias, obrigada Senhor, por tudo o que me proporcionas!
E para vocês que sempre
estão comigo no blog, quero dizer, que estou cada dia mais grata, escrevendo
minhas bobagens cheias de amor.
Mil beijos,
Tania
Pinheiro.