quinta-feira, 13 de março de 2014

Escutar, entender, acolher...


Oi meus queridos,

Há uns dias passados, fui ao ICESP em busca de ajuda para começar a fazer a fisioterapia do meu joelho (lá atrás, eu conto a saga que foram os meus tombos), estou encontrando dificuldades, pois além de ser uma paciente em tratamento de câncer, a quimioterapia intensificou uma osteoporose, o que me deixa ainda mais vulnerável no que se refere a fraturas e quedas.
Como não tinha consulta marcada, fiquei “sentadinha e bonitinha”, aguardando uma brecha para conversar com a assistente social.
Ao meu lado, uma mulher, de seus 40 e poucos anos, chorava copiosamente. Como vocês sabem, sou atrevida, intrometida, e solidária, e por esses motivos me dei o direito de perguntar se poderia ajudar em alguma coisa.
“Bia” (nome que inventei) contou-me estar com um carcinoma na mama direita, e, que tinha certeza de que na hora que fizesse a cirurgia, ficaria só, perderia a mama, o marido, a vontade de viver...
Perguntei então, se o procedimento indicado fora a mastectomia (retirada total da mama). Ela disse que não sabia ainda, pois aquela era a primeira vez que estava indo ao hospital para cumprir os tramites que lhe permitiriam a cirurgia e o tratamento.
Como é de conhecimento geral, fiz em junho de 2011 uma quadrantectomia, para retirar um nódulo do seio esquerdo. Pouco tempo depois, tive que passar por outra cirurgia de esvaziamento axilar, já que o câncer havia voltado. Fiz quimio e radioterapia, tive alguns (muitos) problemas no decorrer desses quase 3 anos.
Vi gente querida morrer, se curar, tentei confortar famílias inconformadas, assisti amigos confortando minha filha... “Não foi mole não”.
Como sou abusada e totalmente sem pudor, abri a blusa e mostrei a ela a OBRA DE ARTE que estavam os meus seios. Sem modéstia, até vale uma foto na Playboy (risos).
O milagre foi executado pelas equipes de dois grandes profissionais, Dr. Felipe Martins de Andrade, que retirou o nódulo, e a do Dr. Márcio Paulino Costa, que fez a plástica. Ela olhava os meus seios encantada.
Então, perguntei por que ela afirmava que perderia a mama? Isso já fora determinado pela equipe oncológica? Não!
Se acaso, por vontade de Deus o procedimento fosse esse, o que impediria que ela se submetesse a uma plástica tão linda quanto a minha? Nada!
Aquele medo, desespero, falta de fé na competência dos profissionais que iriam atendê-la, e, principalmente, na misericórdia divina, mudaria em alguma coisa a realidade que ela estava vivendo? Não.
Ficamos alguns minutos em silêncio, ela já não chorava mais...
De repente, pra minha surpresa, ela me perguntou: E o meu marido, como será que ele vai reagir? Ele diz que adora os meus seios...
Sorri, sem piedade ou espírito crítico, somente sorri e disse a “Bia”, que graças a Deus, não tenho marido, “marida”, namorado ou namorada, ficante, ou pegante, mas se esse fosse o caso, e a pessoa que estivesse ao meu lado dizendo que me amava “balançasse” diante do problema, se UM SEIO, valesse mais que o meu carinho, respeito, amor, compreensão e parceria, enfim, sentimentos que não se compram no shopping, de minha parte eu queria ESTE SER bem longe, de preferência na Ucrânia, no Irã ou quem sabe na PQP!
Não somos PARTES, somos TODO!
Acho inadmissível ser encarada como uma peça de filé, uma fruta, ou um peixe fresco! Sou GENTE! Penso, sinto, amo, choro, rio, luto, tenho raiva, gratidão... Sem essa de me comparar a um par de tetas!
Quando dei por mim, estávamos ambas as gargalhadas. A assistente social parada a nossa frente, estava com cara de “Hã?!” nos despedimos com um grande e sincero abraço, trocamos telefones e email, convidei-a a conhecer meu tesouro (Tatá), o blog e quem sabe até as baladas do Butantã (risos). As duas entraram na sala, fecharam a porta, e eu continuei “sentadinha bonitinha”, esperando minha vez de ser atendida.
Tenho certeza que o Pai Maior fará pela “Bia”, o que for melhor para ela. Torço, por isso, do fundo do coração.
P.S. Decididamente, adoro não ter parceiro(a), em compensação, estou louca para comprar um peixinho vermelho.

Mil beijos,
Tania Pinheiro.


2 comentários:

Célia Rangel disse...

Tania!
"Cara de "Hã""...fico eu por aqui!! Peixinho vermelho? Ah! Tudo bem... acho que é porque fica "preso" em seu aquário, não fala nada, e ainda fica lhe mandando beijinhos o dia todo! Afinal, "peixe fresco"... Olhe cada texto seu é "um mergulho e um flash"... Beijos. Célia.

Carla Ceres disse...

Você mandou muito bem, Tania. Realmente ajudou a "Bia". Parabéns! Quanto ao peixinho, sugiro uma votação no blog pra dar nome a ele. Que tal? :)Você poderia escolher uns três nomes pra gente votar. Não valem "Tânio", nem "Peixel Teló", nem "Tainânio", tá? ;) Beijos!