domingo, 14 de julho de 2013

Humildemente, obrigada Pai!


Oi meus queridos,

Na verdade, esse texto era para ter sido postado na sexta-feira à noite, porém, somente hoje, nossa internet voltou do espaço eterno.
Como para mim é importante partilhar com vocês, resolvi postá-lo mesmo atrasado.
Quarta-feira (10) fui ao Icesp fazer exames de sangue. Rotina. Sentei-me ao lado de uma jovem, que chamarei Maria, que deveria ter mais ou menos 30 anos.
Ela estava visivelmente angustiada. Dei-lhe um sorriso, me apresentei, perguntei seu nome... Falei-lhe que tenho 60 anos, fiz duas cirurgias oncológicas, uma plástica ma-ra-vi-lho-sa, onze quimios e trinta radioterapias, tive uma infecção generalizada, uma endocardite, ganhei de presente um hipotireoidismo, uma arritmia cardíaca, uma depressão que estou lutando para curar e, a maior lição da minha vida: o câncer foi uma benção!
Graças a ele, descobri que não sou supermulher e muito menos insubstituível, que ao contrário do Rei Roberto Carlos, não tenho um milhão de amigos, porém, os poucos que tenho são leais e “pau pra toda obra”.
Descobri o quanto a família é importante: a de sangue e a de coração, descobri que o MEU anjo de guarda, é de carne e osso, e quem pariu fui eu!
Descobri que damos valores a coisas, acumulamos ao longo da vida, coisas e mais coisas, e, raramente compartilhamos, ofertamos, dividimos... Esquecemo-nos que nascemos nus, e ao morrer, levamos somente a roupa que nos cobre!
Agradeço a Deus todos os dias: pelo Sol, que aparece mesmo quando chove, pela vida, por meus filhos, família e amigos, agradeço pelo pão de cada dia, pelo meu lar, por poder me comunicar com tanta gente...
Maria ouvia e chorava. Disse que também tinha dois filhos pequenos. – O que será deles? Perguntou.
Respondi que Deus sabe o que é melhor para cada filho Seu, que ela fortalecesse a sua fé, e acreditasse que iria se curar, criar os filhos, quem sabe, cuidar dos netos... Na verdade, a força da fé, a vontade de viver, a alegria de ver o Sol nascer a cada dia, e principalmente, o exercício de agradecer humildemente por tudo, dão novo sentido a nossa existência. Pedi que ela se acalmasse e acreditasse: Deus pode tudo!
Deixei o endereço do blog, fiz meus exames e vim pra casa.
Há alguns meses, minhas primas amadas, me trouxeram uma montoeira de roupas de grife, de uma tia milionária que elas tinham. A intenção era que eu fizesse um bazar, ou algo do gênero. Era uma forma de me dar uma força.
Tinha peles, inclusive dois casacos, um de vison sintético e outro de astrakan com vison, roupas de marca, bordadas, casacos de veludo... tudo muito bem cuidado, e cá entre nós, tudo muito caro!
Como moro num bairro simples, achei melhor procurar alguns brechós. A maioria se deslumbrava com as peças, porém diziam estar em situação difícil, vendas paradas, enfim... Até que um conhecido indicou-me o “Minha Avó Tinha”, que além de antiquário, brechó, trabalha com aluguel de roupas e peças de época e estilo, fornecem para teatro, produções cinematográficas, e coisas afins.
Como precisava complementar meu aluguel, fui até lá. O lugar é lindo, o atendente, Felipe, muito gentil e educado. O dono e a gerente, não estavam na hora, e como eu tinha consulta no Icesp, deixei a mala para que eles avaliassem.
Gostaria de dizer Ana (gerente) e França (proprietário), que jamais me senti tão humilhada e constrangida. Realmente, a forma como você me tratou Ana, não foi cordial. Eu sei o quanto vale o que “negociei” com vocês. Não sou ignorante, já viajei muito, inclusive morando fora, e creio, não merecia o desdém que você me dispensou.
Minha filha adoeceu de revolta, por não entender a falta respeito humano, sabendo que estou passando por tratamento.
Mas, mesmo assim, agradeço humildemente por você “mesmo sem precisar e sendo peças sem valor”, ter ficado com elas.
Paguei meu aluguel. Ironicamente, faltava exatamente a quantia que você me passou.
A propósito, é incrivelmente bem montado e abastecido o local de vocês, só não encontrei, nem nos cabides, nem nas prateleiras, sequer nos manequins, respeito, solidariedade e humanismo. Isso, a minha avó tinha, e muito, ensinando aos filhos e netos, que somos todos iguais aos olhos do Pai. Espero que vocês continuem fazendo sucesso, do fundo do coração!
Por essas e outras, costumo dizer todos os dias, obrigada Senhor, por tudo o que me proporcionas!
E para vocês que sempre estão comigo no blog, quero dizer, que estou cada dia mais grata, escrevendo minhas bobagens cheias de amor.

Mil beijos,

Tania Pinheiro.

3 comentários:

Célia Rangel disse...

Tania!
Não são bobagens o que escrevemos, pois armazenam-se em nossa alma, projetam em nosso coração e em um olhar rompemos o sensível do insensível... Há pessoas, e são muitas que não passaram e talvez nunca passem por tal estágio. Somos abençoadas em partilharmos tais experiências de vida: - isso aprendemos no berço, com nossos pais e avós!
Beijo. Célia.

Ed disse...

Queria primeiro dizer que foi e está sendo ótimo conviver contigo e Tainá por e-mail, blog, cartas e telefone. Aprendo muito, me redescubro sempre. Mas trocaria tudo isso pela simples troca de olhares e abraços que tivemos na última semana. Obrigado pela confiança desprendida, por me deixarem participar, mesmo que de espectador, um pouco da vida de vocês. Como havia dito, não esperava um momento especial ou uma circunstância melhor, mas que eu estivesse receptivo para aproveitar a oportunidade de estar com vocês, seja ela qual fosse. Sem bajulação, foi maravilhoso. E no final, algo que comentaria em outro momento com a Tainá, senti um aperto no peito, como se estivesse me despedindo de alguém caro pra mim, o que de fato vocês são, mas alguém aqui, do meu convívio. Voltando no metrô, refleti o quanto tenho que agradecer as pessoas maravilhosas que estão aqui, ao meu alcance, algumas quadras de distância, onde somente alguns passos me separam de passar tardes inteiras desfrutando de uma boa e simples companhia. Podem ter certeza, trouxe um pouco de vocês, e deixei uma parte muito importante minha.

Refletindo no que você escreveu e no que presenciei, entendo que mesmo que consigamos desviar das poças de nossas imperfeições, precisamos estar atentos para não nos molharmos com a falta de atenção dos outros que caminham conosco. O que às vezes é inevitável, porém como você disse, é necessário o exercício da humildade, para agradecermos estes momentos desagradáveis e vermos o quanto é importante desviarmos das nossas poças para seguirmos em frente sem que interfiramos nos passos de ninguém. Pagar o mal com o bem, esse sempre foi o caminho para nossa saúde mental e física.
Claro, somos humanos, mas se temos fé em alguém ou algo lá em cima, tudo terá um sentido e propósito, se decidirmos ver dessa perspectiva.

Esse título disse tudo... “Humildemente, obrigada Pai!” Obrigado!!! Que possamos estar sempre caminhando de mãos dadas com a humildade e gratidão.
Sei que estou faltando contigo, mas estarei te visitando mais vezes por aqui Tania.
Grande beijo.
Ed.

Carla Ceres disse...

Nossa, Tania, fiquei triste com o modo como você foi tratada no antiquário. Sei que comerciantes precisam ter lucro, mas desmerecer a mercadoria que lhes é oferecida é um golpe baixo. Poderiam dizer: "Olha, nós sabemos que as peças são de qualidade, mas só podemos pagar x reais". Aí você decidiria, sem mágoa, se o negócio lhe interessava ou não. Deixa estar. O mundo dá voltas. Beijos!