sábado, 14 de dezembro de 2013

Love is all 2ª parte. Quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar?!


Oi meus queridos,

Anteontem, acredite quem quiser, o “quase” impossível me aconteceu. Caí de cara no chão, bem na frente da Galeria Olido e, quebrei o mesmo joelho que machuquei na semana passada, quando atropelei o carro de um cidadão na minha rua! Juro, se me contassem eu não acreditaria!
Sabem aquelas redes de plástico laranja, que colocam para isolar a rua? Pois é... o povo soltou-as dos suportes, e o chão ficou igual a baile carnavalesco, repleto de serpentina! Algumas enrolaram no meu tênis e... PIMBA! Lá fui eu de cara no asfalto.
Imediatamente, várias pessoas vieram me ajudar. Consegui virar o corpo e sentar, com as pernas esticadas. Quando, apoiada por uma jovem maravilhosa que trabalha no bar em frente (perdoe meu anjo, mas com tanta loucura, esqueci os nomes de várias pessoas que me acudiram), ela e um outro rapaz tentaram me levantar, mas a dor não permitiu: quebrei o joelho, mais exatamente a patela. O sangue começou a brotar na calça legue (tão bonitinha, cortaram toda), várias pessoas ligaram para o SAMU, que depois de 1 hora e sei lá quanto, apareceu. Até aí, já haviam me sentado numa cadeira, a doçurinha do bar estava ao meu lado e muita gente em volta tentando entender “qual a atração no meio daquela roda”.
Eu havia pedido um sanduíche de queijo para levar para a Tatá, que saiu do trabalho sem almoçar e foi me encontrar no Hospital do Servidor Público Municipal. Pedi também dois copos de suco de maracujá, mas o Nestor, motorista da viatura do SAMU, esperou que eu tomasse o meu, e sem nenhuma cerimônia, dispensou o da Tatá. Tanto ele, quanto as enfermeiras da ambulância (de novo falta-me a memória dos nomes) foram MARAVILHOSOS! Super profissionais, atentos, e com enorme educação, me imobilizaram, colocaram na ambulância, e descobriram um hospital que me atendesse imediatamente.
De coração, gostaria de agradecer as duas enfermeiras e ao Nestor (mesmo não tendo levado o suco da Tatá). O cuidado, o carinho, o respeito e atenção que eles tiveram comigo, compensaram o tempo da espera.
A equipe do Setor Choque, que fez o primeiro atendimento no hospital HSPM, todos, sem exceção, foram incríveis. A atenção que recebi não deixa nada a desejar aos hospitais particulares.
O ortopedista que cuidou de mim, Dr. César é uma daquelas pessoas que provoca AMOR à primeira vista! Alegre, atencioso, brincalhão, bonito pra caramba, um baiano porreta, que além de tudo é um fabuloso ortopedista! Foi difícil resistir ao seu charme (risos), queria ter 40 anos menos...
Uma das muitas enfermeiras (ou seriam anjos?), a Neuza, tem uma maneira de agir, que parece que nos conhecíamos desde sempre. Além dela, do Chagas, que passou a noite me dando língua (acho que ele não é muito normal), da Fofura, do Teixeira o artesão do gesso (segundo Dr. Cesinha ele é o melhor gesseiro do Brasil), da Bonita que veio com o Cícero me trazer de ambulância até em casa, todos os que me atenderam neste dia inenarrável, foram excelentes profissionais, pessoas que servem ao próximo antes e acima de tudo por amor. Fazem da profissão, do atender ao outro, a personalização do AMOR!
Deus colocou no meu caminho seres tão humanos, tão dignos, que penso nem ser merecedora de tanta bondade! Vivo cercada de afeto, começando pela minha “luz” Tainá, seguindo de tantas e tantas pessoas que me dão graciosamente atenção, força, nos ajudando a cuidar e acreditar em nossos corpos e almas...
É, o amor é tudo!!!                                                                       
Quanto ao raio, estou engessada do tornozelo à virilha, ou seja, quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar?!? Devo ser realmente diferente, até o Dr. César assinou o meu gesso. Quem mais se escala?  


Mil beijos,

Tania Pinheiro.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Love is all


Oi meus queridos,

São 13:30hrs, e eu deitada, sem fazer coisa alguma, fico pensando no quanto sou abençoada. Ontem “atropelei” um carro. O rapaz vinha com a família a 10km por hora, uns 5m atrás de mim. Minha rua, além de estreita, fica com carros estacionados dos dois lados, o que deixa espaço para o trafego de apenas um veículo por vez. As calçadas tomadas por motos e bike’s não dão condições de um pedestre se locomover. – Égua! Quanta firula pra dizer que caí (risos).
Pois bem, lá vinha eu, sonhando com sei lá o que, quando me voltei e vi o carro quase em cima de mim, não sei como, torci o pé e caí com tudo! (Me senti um saco de batatas).
Ralei o joelho, o tornozelo, machuquei seriamente a mão e o punho esquerdo à ponto de minha filha me obrigar a ir para o CAIO.
Fiz radiografias, esperei umas 4hrs pra ser atendida.
O pior é que a Tatá veio mais cedo do trabalho pra casa por estar ultra gripada, com febre, e o nariz... bem, o nariz já estava disforme de tanto a bichinha assoar! Ela não havia se alimentado direito, estava literalmente um bagaço, arriada e sem foças.
Pois foi ver meu pulso e joelho naquelas condições (o joelho, um pivete, com cara de sacana, perguntou: Machucou tia? A resposta bem Tania Pinheiro foi: Não, queridinho, passei batom pra enfeitar o joelho) e lá fomos nós para o ICESP. Ficamos das 16h às 23:30h. Olhava o estado da minha filha e sentia vontade de chorar, mas nenhum dos argumentos que usei, dizendo que não era nada, que eu estava bem... Enquanto tudo o que ela achava necessário não foi feito, eu, sequer fui levada a sério. A palavra final foi a dela: vamos esperar.
Como sempre, os anjinhos do CAIO fizeram de tudo para amenizar a nossa angústia, tentando agilizar os procedimentos.
Os americanos tem uma expressão que diz: Love is all. Realmente não importa de onde ele venha, o amor é tudo!
O CAIO, que é o pronto socorro do ICESP, recebe algumas centenas de pessoas no seu dia a dia. Trata todas com respeito, carinho e consideração. São criaturas que trabalham por amor, que sentem e enxergam a dor do outro...
Nesse momento, estou esparramada na cama, a perna dura (se dobrar dói o joelho), com uma enorme vontade de fazer uma surpresa pra minha filha, mesmo tendo ela me colocado de castigo e proibido de zanzar por aí!
É isso meus amigos: sentimentos reais, realmente sentidos e confessados, nada mais são que demonstração de amor. Não sei se foi por nostalgia, mas me peguei recordando os anos 70, acho (não posso garantir) que foi em 1978 num festival da Globo, que a música campeã chamava-se Love is all.
Então, só para terminar, eu te amo mais que tudo, “meu Tatá”!

Mil beijos,

Tania Pinheiro.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Então...


Oi meus queridos,

Antes deste, tenho outros três textos no caderno, que por vários motivos, não postei! Sei que meu compromisso com o blog, e as pessoas que o leem, é grande, porém, me deu um ataque de “nada presta”, difícil de superar.
De novo nada que se possa se dizer anormal: a Tatá trabalhando, eu cuidando da casa, de vez em quando uma consulta ou exame... a mesma expectativa com a próxima perícia, pois será a partir deste detalhe que poderei fazer planos para o futuro.
Graças a Deus, parou de chover diariamente, o que fez o mofo secar. Não está bonito, mas pelo menos estamos respirando melhor.
O tempo parece moroso, e acho que o fato de ter feito 61 anos dia 27 (o certo seria comemorar os 2 de minha vida nova), pesa um pouquinho.
Sinto uma saudade danada do tempo em que cumpria compromissos, tratava com todo tipo de gente (até com políticos), morava num lugar pequeno, e mesmo quando a praia era a minha calçada, conhecia todos os que me rodeavam, tomava a minha geladinha... fazia poesia e projetos que melhorava a vida das pessoas. Engraçado, mesmo depois de fumar 45 anos, não sinto falta do “meu parceiro de birô ou mesa de bar”. Continuo tomando café, batendo papo, fazendo planos, sem precisar de um “cilindro nicotilítico”.
Passamos por momentos tristes, alguns companheiros de luta foram a nocaute, e tudo o que podemos fazer é orar e pedir a Deus, que lá no outro reino, eles vivam dias bonitos, noites de estrelas, e percebam a saudade que deixaram!
Na política, cada dia mais imunda, os escândalos se sucedem, bem como as aberrações (leiam sobre Roberto Jefferson e o desenrolar do mensalão), que fazem com que acabemos rindo de tanta palhaçada, tanto desrespeito, tanta desfaçatez com o povo e a Pátria.
A coisa está de tal modo sem nexo...
Ando com saudades dos meus, dos sonhos e planos da juventude, do Brasil que inventei e não aconteceu... Ando com saudade dos “Irmãos Coragem” (não aguento mais aulas de sexo ao vivo, de violência, traição, canalhice, “se dar bem não importa a custa de quem”!) Viva a Rede Globo, plim plim!
A Tainá está trabalhando feito louca, e eu que continuo sem sequer abrir o laptop, vivo meu ostracismo optado, procurando coragem (talvez um pouco de força de vontade) pra fazer um curso de informática.
Já pensou que legal, com um simples toque, poder falar com meu filho, (que me fez um depoimento lindo no meu aniversário, em breve estará no blog) meus irmãos, as queridas Célias, a bonequinha Carla Ceres... Falar com a Ana Cadengue, fofocar sobre as maluquices do nosso pequeno mundinho (RN), achar e fazer novas amizades...
Depois de 11 de Dezembro minha vida vai mudar por completo. Fiz um pacto comigo que preciso, mereço, sonho mesmo em ser feliz. Que Deus me perdoe se estou sendo arrogante, mas, Ele melhor do que ninguém sabe que eu já sofri demais!
Então... é o que temos para o momento. Durante a semana, se Deus quiser e a Tatá não chegar mais morta do que viva e cair na cama (às vezes até sem comer), voltaremos a nos encontrar.
Obrigada pela paciência.
P.S: a Tatá pediu desculpas pela falta com o blog, ela ainda está se adaptando a nova rotina, mas jamais abandonará esse espaço que tanto amamos. Acho que a culpa que ela está sentindo não procede, mesmo não podendo postar no blog, por absoluto cansaço e falta de tempo, não tem um dia que ela não seja o sol da minha vida.


Mil beijos,

Tania Pinheiro.

domingo, 24 de novembro de 2013

Como entender o TER e o SER.


Oi meus queridos,

Como sabemos, “quase” todos nós somos humanos, passíveis de erros e enganos, carentes, possessivos, altivos, donos da nossa verdade, e... inseguros, medrosos necessitados de colo físico e espiritual, apavorados ante a possibilidade de PERDER, o que sequer nos pertence.
Soube sexta-feira, que perdi uma amiga querida, que fez quimioterapia comigo. O câncer venceu a nossa linda gueixa. Ela era arrimo de família, no mais profundo sentido da palavra. Não se casou, cuidou dos pais e irmãos a vida toda, ajudou, com sua sabedoria, aconselhando os sobrinhos, mostrando-lhes os caminhos da vida, seus mistérios, sustos, dores e alegrias.
Quando saí do ICESP, chovia aquela garoa paulistana (que só tem aqui), olhei pro céu, sorri, pois sei que a minha amiga deve estar num lugar bem alto, cheio de flores, paz, aonde sua única obrigação será a felicidade. Instintivamente, agradeci o final de todo aquele sofrimento, dela e da família. Lívia sofreu demais! Mas, o Senhor que tudo sabe e tudo vê, deu-lhe finalmente a paz e o descanso, e o prêmio de sentar-se à Sua mesa.
Seja feliz, querida! Deus te abençoe e te ilumine muito. Saudades eternas e beijos no seu coração, meus e da Tatá que te gosta tanto!
Vim no ônibus pensando que temos o pavoroso hábito da propriedade: minha casa, meu carro, meus filhos, meus subalternos... Como assim, MEUS?
Quando Deus nos trouxe ao mundo, trouxe-nos nus, frágeis, precisando de nossa mãe e de seu leite, do pai, dos avós, enfim, de todos os “grandes” que nos rodeavam. Crescemos, estudamos, trabalhamos, construímos patrimônio (nem todos ficamos ricos ou poderosos), fizemos amigos, e conquistamos como nossos, tudo o que erroneamente cremos TER!
Aí, um AVC, um colapso cardíaco, um motoqueiro bêbado, uma bala perdida (?) nos atinge, e... PIMBA! Já foi.
De tudo o que lutamos para ter, levaremos a roupa do corpo, e se realmente for como creio, nossas lembranças e saudades.
Deixaremos saudade também, porém, independente do patrimônio, ficarão para trás as boas intenções. O que vai prevalecer é ganância, a certeza de posse, a avareza, a ambição, o lado feio de cada um aparecerá. Quanto mais $ e posses, menos união, lembranças bonitas de você e suas peripécias, saudade do seu sorriso e do abraço fraterno!
O ter, quando mal interpretado suplanta, esmaga, enterra o ser.
Mostramos nossas sequelas, mazelas, egoísmo, falsidade, desunião, e nenhuma fé, quando se da abertura do testamento e distribuição dos bens. É triste, mas real!
Tenho certeza que com a família da Lívia, isso não acontecerá, o amor de cada um pelo outro e o de todos por ela, não abrirá brecha para a mesquinhez!
Mas, e nós? Será que sabemos o que realmente vale na vida? Será que vemos no outro um igual, ou um adversário a ser derrubado? Será que temos consciência do que, de quem, e por que amamos? E a recíproca é verdadeira?
Às vezes meus queridos, olho em volta na minha casa, e vejo tanta quinquilharia as quais sou apegada, pelos mais diferentes motivos, e fico me perguntando, pra que tanto? Pra que tanta roupa de inverno, se na rua tantos morrem de frio? Por que não doar meus livros depois de tê-los lidos? Poderia transmitir conhecimento, alegria, força, fantasia... a tanta gente! Eu só escreveria na primeira página: leia e passe adiante! Mas, sou vítima do apego material, sou mesquinha no momento de dividir o dom da leitura. Me sinto pequena, apegada a coisas... O que li, guardei na memória e no coração, e daqui ninguém tira (só Deus).
O câncer mudou muito e em muito a minha vida, hoje enxergo o que não via... Valorizo tudo o que me rodeia, agradeço a Deus todos os dias pelo sol, pelo ar, por meu anjo de guarda, por minha família e amigos, por Tê-lo como Pai, e principalmente, por ser quem sou, com erros, defeitos, medos, até mesquinharias, mas lutando loucamente pra mudar conceitos errados dentro de mim. Tenho uma grande ajudante em meus aprimoramentos, minha filha entende de tanta coisa!
Não sou dona de nada, nem de ninguém, porém, também aqui a recíproca é verdadeira.
Amo a Deus, amo de paixão meus filhos e irmãos e seus pares, amo a vida, a Dra. Laura, o Dr. Felipe que me livraram do câncer, a Dra. Priscila, o Dr. Eduardo, meu Deus... quanta gente boa se deu, sem visar nada além da minha recuperação! Se eu fosse numerar cada enfermeira, atendente, recepcionista, maqueiros, ascensoristas, os anjinhos do CAIO que me cuidam e nunca me deixam sem um sorriso, e vocês, que nem o rosto eu conheço, mas tanto amor tem me dado!
Obrigada. Por tudo, tudo mesmo! Deus os abençoe!

Mil beijos,

Tania Pinheiro.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Comemorar o que?


Oi meus queridos,

A demora na postagem deve-se ao “Furaquinho”, que passou por nossas vidas, digo Tainá e eu, chamo de “inho”, pois se fosse “ão” vocês não estariam lendo essas bobagens.
Hoje, 20 de novembro, comemora-se o dia da Consciência Negra... (E eles eram inconscientes antes?!?)
Meu lado rebelde começa a discordar desde o nome dado ao dia. Nossas “neguinhas e negões” começam a perceber a sua REAL BELEZA, e já nem usam mais Henê! Sou, como todo o brasileiro, negroide, e levo em minhas veias sangue forte, de guerreiros altivos, de mulheres parideiras e criadoras da sua prole.
Não concordo que em algum momento, aboliu-se a escravidão, libertou-se o povo negro para viver como povo! Um país falido, com uma corte de idiotas: a natureza e suas malandragens, que fazia chover ou queimar o sol sem parar, derrubou o café, as autarquias, a altivez dos grãos senhores, que se viram forçados a fugir, ou contratar colonos europeus... Porém, isso não é aula de história e sim a minha opinião sobre o 20 de novembro!
Tirando os negros nos esportes, onde de longe, mostram sua superioridade, quem são nossos lideres dignos de respeito e admiração? A atriz Ruth de Souza? Cartola, Pixinguinha, Augusto dos Anjos, o Aleijadinho (que Deus os tenha e deixe a Ruth um pouco mais conosco). Não sei qual foi o bem que Pelé fez a Pátria, mas, louvado seja o Grande Pai, pois pelo menos para falar o nome do Ministro Joaquim Barbosa, podemos até soberbamente abrir a boca e dizer: Esse é um líder negro!
É claro que, além dos pouquíssimos exemplos citados, existem milhares de irmãos, matando um leão por dia e exigindo o respeito devido a sua raça e sua cor.
Sou absolutamente contra a Lei de Cotas: nosso problema é social, é educação da mesma qualidade para todos os brasileiros, porque você pode ser “polaco” como dizem em Santa Catarina (branco, louro, com lindos olhos azuis), sendo pobre, seu destino é a escola pública e, a partir daí... o filho do rico que estuda em grandes colégios, com esporte, lazer, biblioteca digital, alimentação nota 10, tempo para curtir depois da aula... pois é, polaco, ele já está quase na linha de chegada.
Conheci pintores, atores, escritores e poetas, profissionais liberais de diversas áreas, inclusive a medicina, Negros, cheios de orgulho. Costumo dizer, que preto é cor, sapato, cinto, pneu... Negro é raça!
O motivo deu estar escrevendo tudo isso é um só: não precisamos de uma data oficial para nos reconhecer e respeitarem nosso valor. Senão, que haja o dia do albino, do português da padaria, dos orientais, bolivianos, enfim, o que o “poder” achar que deve ser homenageado.
Eu já me daria por feliz, se alguém, instituísse o dia de prender corruptos, de capar estupradores, de caçar e fazer pagar por cada falcatrua cometida contra os brasileiros multicores, os presidentes, os secretários, ministros, deputados e senadores, enfim, essa maravilhosa gangue, que carrega satisfeita o “Estandarte do sanatório geral”!
Por ser e saber quem sou, todos os dias em que construo algo, apoio um irmão, preservo a natureza, respeito meu semelhante, todos os dias em que ainda habitar por aqui, são meus e dos meus semelhantes e assemelhados, dispensamos o feriado e as espúrias homenagens!
Viva Zumbi dos Palmares!
Axé e fé, irmãos de todas as raças e cores!
Deus te proteja, guarde e abençoe meu amado Brasil!


Mil beijos,

Tania Pinheiro.

sábado, 9 de novembro de 2013

Quanto apavoram os recomeços!


Oi meus queridos,

Pois é, o benefício pelo câncer acabou, o que tenho que fazer agora é procurar um psiquiatra (possivelmente mês a mês) e tentar continuar recebendo por conta dos zilhões de problemas que a depressão tem me propiciado. Ando totalmente a flor da pele!
Estou tomando hormônio para equilibrar o meu humor, pela manhã tomo 3 compridos de sertralina, à noite tomo 1 diazepam + 2 amitriptilinas para dormir. O pior é que eu não durmo, e quando durmo, falo a noite toda, principalmente com os meus pais (que já morreram), saio andando pela casa, sem destino. A pobre da Tainá não sabe o que é um sono tranquilo sei lá há quanto tempo...
Tem horas que não lembro o que comi hoje, mas, falo naturalmente da primeira apresentação artística da Tatá na escolinha (ela só tinha 3 anos).
Em certas ocasiões esqueço o nome das pessoas, fico embaraçada ao chama-las de queridas, em outras, pior, esqueço o assunto que conversávamos.
Tem dias, que gostaria de jogar tudo pro alto: família, amigos, tratamento, e, ir em frente feliz e livre ao encontro do eterno descansar!
Em outras ocasiões, me torturo por não ter sido mais “esperta” por achar que nada vale mais num homem que seu caráter, sua moral. Eu poderia ter feito um bom “pé de meia”, se não fosse tão idiotamente honesta, cobrando preço justo pelo meu trabalho, ensinando meus filhos a respeitar a propriedade e os direitos dos outros. Não tivesse sido tão tonta, defendendo o que EU acreditava ser o certo, tendo no peito a certeza, que só é digno do pão, aquele que semeou e colheu o trigo, retirou-lhe com respeito à casca, e grato a Deus, sovou e assou o que honestamente produziu.
Sei que no mundo existem alguns milhares de milhões de homens e mulheres assim. Alguns, por motivos só explicados por Deus, prosperam, passando a seus dependentes a importância de ganhar com o trabalho cotidiano. Muitos, talvez a grande maioria, vivem uma vida moderada, sem grandes lampejos de alegria ou dor, amam ao Pai, a família, o trabalho, os amigos e, sempre que podem, tentam amparar um semelhante em pior situação.
No Icesp, onde me trato, cruzo diariamente com pessoas, que se vê nos olhos que nem sequer café da manhã tomaram. Porém, serenas, recebendo com bondade um tratamento que é seu por todos e quaisquer direitos: o penal, o humano, o moral e acima de todos, o respeito de saber que aquela pessoa paga impostos acharcantes, desumanos e imorais, a uma corja, que além do falar bonito, sorri sempre o mesmo sorriso, são incapazes de olhar para o lado e reconhecer, como dizem as escrituras, “o seu irmão”!
Ainda em tratamento, sem trabalho ou perspectiva de, tendo ao lado meu anjo protetor, a Tainá e acima de nós o Grande Mestre do Universo, sinto-me aos 60 anos tão apavorada, como se tivesse 10. Sei que só tenho dois caminhos: enfrentar com a cabeça erguida, confiante nos bons que ainda me rodeiam, respirar fundo, fechar os olhos, agradecer a Deus pela vida e tudo de lindo que ela me deu... Ou procurar o pessoal da Playboy, mostrar a perfeição de trabalho executado pelo Dr. Márcio Paulino, imediatamente após a retirada do tumor, ofertando de brinde a chamada da matéria: Cabeça de 100, corpinho de 50, pernas de 30... e um par de seios de 15 anos jamais apalpados! Quem sabe? Vai que dá certo?! Doida pra isso eu sou.

Mil beijos,

Tania Pinheiro.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

... eu só queria entender!


Oi meus queridos,

Estava com saudades, mas, por mil e um motivos não deu para postar antes.
Hoje, não abri a janela do quarto, tampouco a do meu coração.
Esfriou, choveu, São Pedro se confundiu e trocou o feriado de finados.
Amanhã vou fazer uma visita ao INSS. São sempre angustiantes, apertam o peito, mexem com a cabeça e a alma. É exatamente na véspera da perícia que avalio o quanto não fiz nada de útil na minha vida! Não pra mim, nem para os que realmente mais amo.
Participei de sei lá quantos mutirões de casa própria, ajudei a levantar a renda, a estima, a vontade de sonhar, de pessoas que hoje, provavelmente, sequer lembrem que eu existo, e são gratas ao político ladrão que levou no mínimo a metade do preço do projeto inicial!
Meus filhos cresceram, são donos de si. Meus pais morreram, sabe-se lá, se já não estão aptos a voltar a conviver conosco!
Não tenho marido (nem me daria novamente esse castigo), nem namorados, odeio bailes da melhor idade, não tenho saco pra ver televisão, e não domino o mundo virtual... Às vezes, sinto que morri e esqueceram de enterrar.
Na entrevista de amanhã, muito o que farei, acontecerá ou não, a partir do resultado.
Não aceito piedade, dó, ou qualquer sinônimo para tais palavras. Plantei, a partir daí, vou colher!
Sinto saudade do tempo em que eu chorava ouvindo uma canção ou assistindo um lindo filme. Não faço mais isso, não consigo.
Sinto que adorava ficar maquinando “gostosuras” para alimentar as minhas gostosuras. Também isso, tenho feito muito pouco.
Decretei meu auto ostracismo, e mastigo em minha concha toda a angústia, medo, ódio, abandono, todos os maus sentimentos que me invadem. Depois, lavo o rosto, balanço os cabelos, fecho a ostra e volto toda faceira a conviver com os outros. Tudo maquiagem, tudo mentirinha, tudo fuga, medo e uma enorme solidão.
O pior, é que a tendência é piorar cada vez mais! Velhice é igual à rabugice (risos).
Perdoem despejar aqui, tanta coisa feia e ruim, mas a fora os ouvidos da minha filha, este é o único lugar que possuo, sei que por carinho, vocês vão entender e perdoar.
Amo, mesmo sem jamais ter visto, cada amigo que me visita com seu carinho e acolhimento. Saudades!

Mil beijos,
Tania Pinheiro.